Uma denúncia sobre as condições degradantes em uma clínica de reabilitação em Mateus Leme, resultou na prisão em flagrante do proprietário e de outros dois responsáveis pela instituição, de 36, 39 e 42 anos. A ação foi realizada pela Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG), com apoio da Vigilância Sanitária e do Ministério Público, no bairro Serra Azul, e culminou na interdição do local.
A clínica abrigava 45 internos, incluindo adolescentes, idosos, dependentes químicos e pessoas com deficiência mental. Durante a operação, foram apreendidos um veículo e diversos medicamentos destinados aos internos. Os suspeitos foram autuados por crimes como cárcere privado, administração de drogas sem observância das determinações legais, posse ilegal de armamento e maus-tratos.
Além desses crimes, a Polícia Civil investiga ainda a possibilidade de trabalho escravo, uma vez que os internos eram forçados a trabalhar sem remuneração adequada, e falsidade ideológica em receitas médicas.
INDÍCIOS DE IRREGULARIDADES
As investigações começaram após denúncias sobre maus-tratos a um dos internos. Em uma inspeção realizada na última segunda-feira (7/7), foram constatadas várias irregularidades, incluindo odores insuportáveis de fezes e urina, falta de médicos e enfermeiros durante a noite, armazenamento inadequado de medicamentos controlados e ausência de documentação que comprovasse internações compulsórias.
Os internos relataram aos policiais agressões físicas, alimentação insuficiente e permanência forçada no estabelecimento. O delegado Diego Nolasco, responsável pelas investigações, afirmou: “Havia indícios de tortura física e psicológica. Aqueles que tentavam fugir ou não seguiam as ordens eram agredidos e ameaçados.”
O delegado também mencionou que uma comissão chamada Grupo de Apoio ao Paciente (GAP) foi criada dentro da clínica para conter pacientes problemáticos. “Em algumas situações, os pacientes eram agredidos fisicamente ou dopados ao ponto de ficarem na cama e fazerem suas necessidades ali”, revelou Nolasco.
MENSALIDADES ELEVADAS
Conforme apurado pela polícia, os familiares dos internos pagavam mensalidades que chegavam a R$ 2 mil pelos serviços prestados pela clínica.
AÇÕES CONTÍNUAS
Gislaine Rios, chefe do 2º Departamento de Polícia, afirmou que “o 2º Departamento está intensificando as ações contra clínicas clandestinas ou aquelas com alvará vencido que submetem os internos a condições humilhantes e degradantes”. Nolasco também ressaltou que as investigações continuam para identificar outras pessoas responsáveis pela clínica que não estavam presentes durante a operação.

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