Na cidade de Barra do Piraí, no sul fluminense do Rio de Janeiro, tensões ideológicas relacionadas à religião emergiram após a rejeição de um projeto de lei na Câmara Municipal. O Projeto 191/2025, apresentado pelo vereador Pedro Fernando de Souza Alves, conhecido como Pedrinho ADL (SOLIDARIEDADE), foi votado em uma sessão lotada na terça-feira (24/06), mas não obteve aprovação, sendo derrubado por 6 votos a 4.
A iniciativa visava incluir a “Caminhada e Cortejo de Zé Pilintra” no calendário oficial da cidade, a ser realizada anualmente no dia 07 de julho, reconhecendo-a como uma manifestação cultural e religiosa.
Os vereadores que votaram contra a proposta foram Elves, Zé Mauro, João Paulo, Lu Marciel, Wanderson e Jordane. A favor do projeto, além do autor, votaram Ludi, Thiago e Macrei.
Zé Pelintra é uma figura emblemática nas religiões Jurema Sagrada e Umbanda, simbolizando o sincretismo religioso e a resistência cultural das comunidades marginalizadas. Nas redes sociais, Pedrinho lamentou a rejeição do projeto.
De acordo com o vereador Pedrinho ADL, o objetivo da proposta era valorizar as tradições populares ligadas às religiões de matriz africana e afro-brasileira, promovendo o respeito à diversidade e à liberdade de culto. Ele destacou que a Caminhada seria um evento pacífico e festivo, reunindo devotos e membros da comunidade para celebrar fé e ancestralidade, além de impulsionar o comércio local e o turismo cultural.
Em meio ao impasse, grupos ligados aos terreiros em Barra do Piraí organizaram protestos nas ruas e nas redes sociais. Representantes das religiões afro-brasileiras convocaram uma manifestação em frente à Câmara Municipal. Em contrapartida, grupos evangélicos celebraram a rejeição do projeto.
A polêmica se intensificou quando o pastor Matheus Oliveira da Comunidade Evangélica Atos criticou publicamente a proposta, chamando Zé Pelintra de “entidade demoníaca” que teria como objetivo “destruir famílias”. Ele afirmou que a iniciativa não representava os valores da sua comunidade nem da significativa parte da população evangélica local.
O conflito transcendeu os limites municipais, levando o deputado estadual Carlos Minc (PSB) a solicitar ao Ministério Público (MP) a instauração de uma denúncia criminal contra o pastor.
Em apoio ao autor do projeto rejeitado, a deputada estadual Renata Souza (PSOL) defendeu o vereador e apresentou um novo Projeto de Lei na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro para instituir a Caminhada em todo o estado. “Estamos reconhecendo a Caminhada do Zé Pelintra como patrimônio imaterial e histórico do Estado do Rio de Janeiro”, afirmou a deputada em sua luta contra o racismo religioso.
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