Recentemente, uma pesquisa do Datafolha revelou que 52% dos evangélicos consideram o governo Lula como "ruim" ou "péssimo". Diante desse cenário, a esquerda está adotando novas estratégias para reduzir a rejeição do governo entre esse público.
À frente desse desafio está a primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja. Seu papel é ainda mais complexo, pois ela é seguidora de religiões de matriz africana. Com o apoio da Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito, Janja tem promovido encontros com mulheres evangélicas em diversas regiões do Brasil. O objetivo é entender como as políticas públicas impactam a vida das famílias nas periferias. Nos últimos meses, ela visitou cidades como Salvador, Manaus, Ceilândia Norte, Rio de Janeiro e Caruaru (PE). Em algumas dessas ocasiões, foi acompanhada pela ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco.
Além disso, a primeira-dama participou do podcast "Papo de Crente", ao lado do presidente Lula, reforçando a importância do diálogo direto com o segmento religioso. Durante a conversa, ela destacou: "Senti a necessidade de entender como as políticas públicas do governo têm afetado as mulheres, principalmente as negras nas periferias. Não se trata apenas de religião, mas do impacto dessas políticas na vida delas."
CAPACITAÇÃO DO PT
A Fundação Perseu Abramo, vinculada ao PT, lançou o curso "Fé e Democracia para a Militância Evangélica Brasileira". O objetivo é capacitar os membros do partido para interagir com o eleitorado evangélico, considerado estratégico. Até agora, 775 pessoas se inscreveram para participar das oito aulas do programa.
A teóloga pentecostal Angélica Tostes, uma das instrutoras, ressaltou a importância desse campo religioso: "É um espaço majoritariamente ocupado por mulheres, pessoas negras e de periferia."
Segundo o Censo de 2022, os evangélicos somam 47,4 milhões no Brasil, representando 26,9% da população. Este número é expressivo se comparado a 2010, quando eram 21,6%. O levantamento ainda aponta que a maior concentração de evangélicos está entre os jovens de 10 a 14 anos, indicando uma tendência de fortalecimento desse grupo nas próximas décadas.

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