Na última sexta-feira (7), Betim recebeu a etapa final do Fórum Minas Sem Miséria, realizado pela Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). Este evento, que ocorreu no campus da PUC Minas, marcou o quinto e último encontro regional, reunindo representantes de 14 cidades da Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) e da Região Central.
Enquanto a miséria atinge de forma mais intensa a população rural no interior do Estado, nas grandes cidades como Betim, a população em situação de rua é um dos grupos mais afetados. O fórum teve como objetivo principal discutir propostas para a elaboração do Plano Mineiro de Combate à Miséria, estabelecido pela Lei 19.990, aprovada em 2011, que criou o Fundo de Erradicação da Miséria (FEM).
Os participantes do evento expressaram preocupação com a aplicação dos recursos do FEM, que conta com um orçamento anual de R$ 1 bilhão. A deputada Bella Gonçalves (Psol), que presidiu a abertura dos debates, destacou que metade desse montante estaria sendo utilizado em outras áreas, ao invés de financiar programas de combate à pobreza e à extrema pobreza.
“Desde a aprovação da lei em 2011, o combate à miséria não tem sido prioridade para o Executivo. O FEM deveria ser utilizado para políticas públicas permanentes, mas nada disso está sendo feito”, criticou Bella. Ela enfatizou que a verdadeira transformação só ocorrerá quando Minas Gerais for governada por alguém que já conheceu a fome.
O presidente da ALMG, Tadeu Leite (MDB), também se fez presente, ressaltando que 3,6 milhões de mineiros vivem em situação de pobreza, sendo 2,3 milhões deles em pobreza extrema. “Desejamos que, a partir da semente que este fórum técnico está plantando, possamos fazer escolhas políticas que promovam uma sociedade mais justa e menos desigual”, declarou Leite.
Os resultados deste encontro serão discutidos na etapa final do fórum, programada para 2026, com a esperança de que as propostas apresentadas contribuam efetivamente para a erradicação da miséria em Minas Gerais.

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